Sobre o Painel
Bem-vindo ao Painel Interativo sobre Sindemia Global.
Hoje, a ciência entende que a obesidade, a desnutrição e as mudanças climáticas não são problemas isolados. Eles coexistem, interagem entre si e compartilham das mesmas causas estruturais. Um fenômeno conhecido como Sindemia Global.
No centro dessa dinâmica estão os nossos sistemas alimentares. Ao mesmo tempo em que os sistemas alimentares são grandes emissores de gases de efeito estufa (74% de toda a emissão do Brasil), eles definem a qualidade da alimentação da população, podendo impulsionar tanto a desnutrição quanto o excesso de peso.
Por que focar em crianças menores de 5 anos?
As crianças nessa faixa etária possuem maior vulnerabilidade biológica e social. O que elas comem e o ambiente onde vivem nos primeiros anos de vida definem seu crescimento, imunidade e saúde por toda a vida. No entanto, os impactos da crise climática e da má nutrição não são iguais: famílias de baixa renda e crianças pequenas são as que mais sofrem e as que têm menor capacidade de adaptação.
As Quatro Realidades dos Sistemas Alimentares no Brasil
Os sistemas alimentares mudam de acordo com o território. Para entender essa diversidade, este painel utiliza o Índice Multidimensional Brasileiro de Sistemas Alimentares Sustentáveis (MISFS-R), que, a partir de uma análise de semelhança entre 46 indicadores, divide o Brasil em quatro grandes perfis (tipologias) regionais:
| Tipologia Territorial | Estados Abrangidos | Principais Características |
| Cinturão Agrícola | AC, RO, MT, MS, GO e TO | Forte produção agrícola e desenvolvimento econômico, mas com grande impacto ambiental devido à pecuária extensiva e ao desmatamento. |
| Polo Econômico Central | Todos os estados do Sul e Sudeste | Melhor desempenho geral no índice, mas com pontos críticos: altas desigualdades sociais no campo (por sexo e raça) e elevado uso de agrotóxicos. |
| Eixo de Desenvolvimento Latente | Todos os estados do Nordeste | Territórios que enfrentam os maiores desafios, apresentando os resultados mais baixos em indicadores nutricionais, de renda e de produtividade alimentar. |
| Fronteira da Vulnerabilidade | PA, AM, RR e AP | Cenário marcado por maior prevalência de insegurança alimentar, menor diversidade na dieta e baixo acesso a alimentos. |
Qual é o Objetivo deste Painel?
O propósito desta ferramenta é analisar, de forma conjunta, a evolução da desnutrição, da obesidade e das mudanças climáticas nos municípios brasileiros entre 2008 e 2019, focando na nutrição na primeira infância de acordo com esses quatro perfis de sistemas alimentares.
Para isso, cruzamos dados históricos e utilizamos um esquema de classificação de prioridades municipais, alimentado principalmente pelas informações do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) e do SEEG Brasil (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Brasil).
O esquema de classificação de prioridades
Classificação por componente da Sindemia Global
Para classificar a prioridade dos municípios, os fenômenos de excesso de peso, desnutrição e emissões de gases de efeito estufa foram, primeiro, classificados separadamente:
Excesso de peso: os municípios foram classificados segundo as categorias na tabela a seguir. Municípios classificados com alto grau de prioridade para excesso de peso foram aqueles categorizados como "Muito ruim":
| Prevalência de sobrepeso em 2019 | Tendência anual da prevalência de sobrepeso |
| Aumento (β>0) | Estabilidade (β=0) | Redução (β<0) |
| Alta: ≥ 10% | Muito ruim | Ruim | Regular |
| Intermediária: ≥5% e <10% | Ruim | Regular | Bom |
| Baixa: <5% | Regular | Bom | Muito bom |
Pontos de corte para prevalência de sobrepeso estabelecidos com base na referência utilizada pelos relatórios da UNICEF: UNICEF/WHO/World Bank Joint Child Malnutrition Estimates Database [Internet]. UNICEF DATA. 2021. https://data.unicef.org/resources/jme-report-2021/
Desnutrição: os municípios foram classificados segundo as categorias na tabela a seguir. Municípios classificados com alto grau de prioridade para desnutrição foram aqueles categorizados como "Muito ruim":
| Prevalência de Stunting em 2019 | Tendência anual da prevalência de Stunting |
| Aumento (β>0) | Estabilidade (β=0) | Redução (β<0) |
| Alta: ≥ 20% | Muito ruim | Ruim | Regular |
| Intermediária: ≥10% e <20% | Ruim | Regular | Bom |
| Baixa: <10% | Regular | Bom | Muito bom |
Pontos de corte para o déficit de estatura estabelecidos com base na referência utilizada pelos relatórios da UNICEF: UNICEF/WHO/World Bank Joint Child Malnutrition Estimates Database [Internet]. UNICEF DATA. 2021. https://data.unicef.org/resources/jme-report-2021/
Emissões de gases de efeito estufa por pessoa: os municípios foram classificados segundo as categorias na tabela a seguir. Municípios classificados com alto grau de prioridade para emissão de gases de efeito estufa por pessoa foram aqueles categorizados como "Muito ruim":
| Emissão de GEE per capita em 2019 | Tendência anual das emissões de GEE |
| Aumento (β>0) | Estabilidade (β=0) | Redução (β<0) |
| Alta: ≥ 4 Kt CO₂ eq/pessoa | Muito ruim | Ruim | Regular |
| ≥2 e <4 Kt CO₂ eq/pessoa | Ruim | Regular | Bom |
| Baixa: <2 Kt CO₂ eq/pessoa | Regular | Bom | Muito bom |
Pontos de corte para as emissões de GEE per capita estabelecidos com base nos dados do sexto relatório do IPCC (AR6). Nesse relatório, há a recomendação de reduzir, até 2030, em 43% as emissões de GEE em comparação com o ano de 2019 e, em 60% até 2035 e em 69% até 2050 para manter o aumento de temperatura até 1,5°C em relação ao período pré-industrial. Considerando que as emissões, em 2019, foram estimadas em 59 Gt CO₂ eq, para o ano de 2030, a emissão alvo seria de 33 Gt CO₂ eq, que, dividido pela estimativa da população global (8,5 bilhões, segundo a ONU), equivale à emissão anual per capita de 3,9 Kt CO₂ eq por pessoa. Essa emissão teria que reduzir ainda mais até o ano de 2050, para 1,9 Kt CO₂ eq per capita (considerando a estimativa de 9,7 bilhões de pessoas, segundo a ONU). Sendo assim, os pontos de corte para emissões alta, intermediária e baixa, foram estabelecidos com base nessas informações.
Classificação combinando os componentes da Sindemia Global
Considerando a combinação dos possíveis cenários para os três fenômenos da sindemia global, os municípios foram classificados em:
- Prioridade máxima: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para os três componentes da Sindemia;
- Dupla carga de má nutrição: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para os componentes desnutrição e excesso de peso, mas não para o componente climático;
- Clima e desnutrição: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para os componentes de clima e desnutrição, mas não para o componente excesso de peso;
- Clima e excesso de peso: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para os componentes de clima e excesso de peso, mas não para o componente desnutrição;
- Alerta climático: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" apenas para o componente climático;
- Alerta excesso de peso: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" apenas para o componente de excesso de peso;
- Alerta desnutrição: se classificados como "Muito ruim" ou "ruim" apenas para o componente desnutrição;
- Alerta regular: se não foram classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para nenhum dos componentes da Sindemia, mas apresentaram algum ponto de atenção (classificação "Regular" em algum componente);
- Sustentabilidade: se não foram classificados como "Muito ruim" ou "ruim" para nenhum dos componentes da Sindemia.
Como navegar no Painel
Ao monitorar essas tendências, o painel busca fornecer evidências para que gestores, pesquisadores e a sociedade civil possam compreender a persistência da desnutrição e o avanço do excesso de peso infantil em cada canto do país, combinado às emissões de gases de efeito estufa por pessoa, ajudando a adaptar as ações de saúde e clima às reais necessidades de cada território.
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